Artigo: mulheres e sociedades



MULHERES E SOCIEDADES
















LARISSA BERTO DOS SANTOS

































RIBEIRÃO PRETO/SP

2026

SUMÁRIO


1. Breve_ contextualização________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Introdução______________________________________________________________________________________________________________________________________

3.0 Desenvolvimento Biologia_______________________________________________________________________________________________________________________________________________

3.1 Quando surgiu o machismo e quem o criou?________________________________________________________________________________________________________________________________________________

4. As mulheres no início da humanidade_____________________________________________________________________________________________________________________________________

5. As mulheres e as religiões________________________________________________________________________________________________________________________________________

6. As mulheres na África___________________________________________________________________________________________________________________________________________

7. As mulheres na Ásia____________________________________________________________________________________________________________________________________________

8. As mulheres nas Américas________________________________________________________________________________________________________________________________________

9. As mulheres na Europa__________________________________________________________________________________________________________________________________________

10. As mulheres no Oriente Médio___________________________________________________________________________________________________________________________________________

11. As mulheres na Oceania_________________________________________________________________________________________________________________________________________

12. O feminismo e a misoginia_______________________________________________________________________________________________________________________________________

13. O antifeminismo____________________________________________________________________________________________________________________________________

14. Atualidades______________________________________________________________________________________________________________________________________

15. Conclusão_______________________________________________________________________________________________________________________________________



INTRODUÇÃO


“Meninas que amam demais, acabam sempre tendo um final trágico, ou melhor dizendo, se interrompendo de alguma forma, seja cortando suas asas, seja se suicidando.”

Essa frase possui uma carga emocional e impactante, mas por que pensar sobre isso? Podemos começar a refletir pensando em histórias e reações que acontecem cotidianamente, e o peso que isso tem, quando pensamos em mulheres na sociedade. Por exemplo, o filme “Irreversível” de 2002, trata de uma vingança feita pelo marido e antigo namorado de uma mulher que foi brutalmente agredida e estuprada. Repare que não se trata sobre a vítima, mas sim sobre a vingança.

Por que eles buscaram vingança? Por que amavam a mulher? Ou porque sentiram que tiveram sua honra roubada? Se trata da vítima, ou os homens que buscaram por vingança são as verdadeiras vítimas? Mais do que isso, a reação que este filme causou, foram comentários como: A roupa dela estava muito curta e colada; ela estava andando em um lugar escuro e deserto.

Como disse o próprio cineasta franco-argentino Gaspar Noé, “O filme é testosterona fóbico. Ele mostra os homens como bestas”. Isso significa, que quando a realidade é retratada, ela choca, e não é vista como algo possível de acontecer. Pode se perceber, que o termo “testerona-fóbico” é utilizado como forma de se referir aos homens, como se mulheres também não tivessem testosterona, e este hormônio fosse atribuído somente aos homens (alegação que de fato acontece).

Agora, devemos pensar no por que isso acontece. Isso mostra a normalização que o patriarcado é responsável por moldar, pois construí uma relação sobre a expectativa dos homens, e por isso as diferentes formas de violência contra as mulheres são normalizadas.

Isso pode parecer exagerado, mas a forma como mulheres são violadas pela sociedade, e melhor dizendo, pelo patriarcado, mais especificamente os homens, começa quando ainda são meninas. Na verdade, quando são geradas e estão no ventre de suas mães, tendo início com o patriarcado.

O patriarcado, é o sistema de dominação masculina, que se iniciou com a divisão de tarefas (ponto que abordaremos sobre o início da violência contra a mulher), onde a divisão de tarefas moldaram a forma de domínio para os diferentes gêneros, restringindo funções.

O patriarcado ganhou força com principalmente com o capitalismo e com a religião, a religião contribuiu para a idealização de uma imagem distorcida sobre a mulher, julgando-a com frágil e submissa. Podemos observar isso nas religiões cristãs, por exemplo, com a afirmação de que Eva veio da costela de Adão, e veio para lhe fazer companhia e ser submissa a ele.

Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente”, “Javé Deus disse: não é bom que esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante”, “Então Javé Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou então uma costela do homem e no lugar fez crescer carne. Depois, da costela que tinha tirado do homem, Javé Deus modelou uma mulher, e apresentou-a para o homem.”

Com estas palavras escritas por homens na bíblia, que já possui uma interpretação de submissão, diferentes interpretações cada vez mais machistas surgiram.

"Utilizar a religião como forma de controle não esconde a real intenção de quem quer controlar os corpos e os territórios colonizados" - Jonatas Campos.

Com a chegada do capitalismo, essas ideias foram rapidamente disseminadas nas estruturas sociais, como a família, e foram fomentadas pelo comércio, como por exemplo, a prostituição.

Isso tudo, com base na forma que a sociedade em geral, reage a figura feminina. De início, temos o que o pai espera, como por exemplo, se este é um empresário, se este é um homem rico, certamente, pode se observar que sua expectativa será de ter um filho homem, pois este será capacitado para exercer a função do pai, e levar a diante o legado de seu pai.

Agora, se vamos pensar em como a sociedade reage, temos dois caminhos diferentes. O primeiro, onde é esperado que venha homem, para que este realize sua função como cidadão, (mais uma vez, coisas que são atribuídas principalmente a homens, pela capacitação dos mesmos, já que mulheres não são vistas como capazes, nem como seres racionais, muitas das vezes, pelo patriarcado, que é fomentado pelo capitalismo, principalmente com a ideia de individualismo e meritocracia).

O segundo caminho, onde é apreciado a vinda de uma mulher, para que esta possa servir a “sociedade” (homens) seja contribuindo com herdeiros, e ao mesmo tempo, servindo de fetiche, objeto sexual, proletariado (pois a mão de obra feminina é a mais predominante e a que mais faz com que a economia gire, principalmente por mães chefes de família), entre outras “utilidades” para o patriarcado e principalmente, para o capitalismo.

Agora vamos observar alguns dados: há 40 milhões de trabalhadores informais no Brasil, sendo 37,5% mulheres e desses 37,5% 41% são mulheres negras. Dados do IBGE. Agora quando falamos de mulheres chefes de família dados podem variar, por exemplo na Região Nordeste corresponde a 50% das famílias.

Quando falamos sobre mulheres pretas e latinas, a objetificação se torna hipersexualização, e é fomentada pelas mídias e principalmente, pelo cinema. Neste ponto, temos uma consequência, que é a cultura do estupro, a qual o capitalismo é o principal disseminador.

Sobre a forma como as mulheres são doutrinadas e violadas, ainda quando meninas, a religião tem papel fundamental, como doutrinação e manipulação em massa, e a mesma ainda é utilizada pelo patriarcado e pelo capitalismo, como forma de estruturação social e cultural, além de uma forma de violência; muitas vezes, exclusivamente com as mulheres. É importante ressaltar, que estou me referindo especificamente às religiões cristãs, judaicas e muçulmanas, com ênfase no cristianismo, já que existem religiões e culturas, as quais não seguem o modelo do patriarcado, portanto não se aplicam a esse estudo.

Falar sobre isso, pode soar exagerado, ou até mesmo como uma generalização, portanto, é importante ressaltar que os dados e fatos serão apresentados ao decorrer do estudo, pois será explicado cada ponto que aqui foi apresentado.

Algumas estatísticas sobre violência contra a mulher:

  • Em 2022, 46,7% das brasileiras sofreram assédio sexual, um aumento de quase 9 pontos percentuais em relação a 2021. 

  • Em 2022, cerca de 50 mil mulheres sofreram algum tipo de violência diariamente no Brasil. 

  • Um terço das mulheres brasileiras já sofreu algum episódio de violência física ou sexual pelo menos uma vez na vida. 

  • 85% das mulheres atendidas por violência doméstica são negras. 

  • 62% das mulheres vítimas de feminicídios são negras. 

  • 73% das brasileiras acreditam que o medo do agressor é o principal motivo para não denunciar a agressão. 

  • 61% das brasileiras acreditam que a falta de punição e a dependência financeira são os principais motivos para não denunciar a agressão. 

Dados oficiais do Senado brasileiro.

Na matéria da Unicamp, “Aumento da violência contra as mulheres têm relação com avanço do conservadorismo” mostra que há uma epidemia de violência contra as mulheres no país, além de mostrar que “um dos motivos do aumento da violência é a ascensão de grupos ultraconservadores na política e na sociedade brasileira”.

O que o ultraconservadorismo tem a ver com o aumento de violência contra a mulher? O ultraconservadorismo parte da premissa de que princípios e valores são os principais fatores que devem ser levados em consideração para reger os comportamentos da sociedade em geral. São esses valores e princípios que são regidos pela religião.

Na atualidade os valores cristãos estão novamente em ascensão e os principais fatores são regidos pela Bíblia, mais especificamente o antigo testamento. Levando em consideração que a Bíblia foi escrita majoritariamente por homens, fazendo parte do patriarcado, podemos entender ela como machista.

A ideia de que a mulher é submissa ao homem e sua auxiliar, coloca a mulher como inferior ao homem, pelo menos é assim que é entendido pelo ultraconservadorismo. Isso se torna uma verdade absoluta que deve ser respeitada em nome da "fé".

2. INTRODUÇÃO

Com o avanço da humanidade, em vários aspectos, muito caos e muitas confusões surgiram, o que não é algo novo, porém muitas pessoas não conseguem assimilar alguns aspectos importantes, pois fica cada vez mais difícil com os novos acontecimentos da humanidade, que tem vindo como avalanches nos últimos tempos.

O que acontece é que com o avanço da praticidade e da tecnologia atualmente, por mais que seja mais fácil conseguir informações legítimas, cada vez mais informações falsas circulam. O ser humano tem facilidade em manipular e criar informações para usá-las a seu favor. Podemos observar isso por toda a história da humanidade.

De acordo com um estudo minucioso feito por Justin Jackson em 2025, chamado “Como a transmissão mudou ao longo de 3,3 milhões de anos de evolução humana”, várias etapas e formas de instrução surgiram atendendo as necessidades da população a cada contexto e época. Fato esse que foi comprovado no artigo de experiência “ Smith K, Kalish ML, Griffiths TL, Lewandowsky S. Introduction. Cultural transmission and the evolution of human behaviour. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2008 Nov 12;363(1509):3469-76. doi: 10.1098/rstb.2008.0147. PMID: 18799420; PMCID: PMC2575430”.

Além disso, como diz o Seiffert-Brockmann, J. (2018). Psicologia Evolucionista: Uma Estrutura para Pesquisa em Comunicação Estratégica. International Journal of Strategic Communication , 12 (4), 417–432. https://doi.org/10.1080/1553118X.2018.1490291, “ Alguns desses módulos incorporam motivações humanas fundamentais, que podem ser desencadeadas pela comunicação estratégica. Ao explorar motivações fundamentais como o anseio por status, afiliação e cuidado familiar, a comunicação estratégica é capaz de explorar estímulos ancestrais na sociedade da informação atual.”

Isso tudo significa que em toda a nossa história, nós construímos maneiras de passar as informações a diante, e também manipulá-las, moldando uma realidade que seja favorável e individual a nós.

Portanto, quando falamos sobre manipulação, estamos nos referindo a uma rede complexa de informações que podem ser moldadas de acordo com o objetivo de quem as domina. Esta foi uma grande arma utilizada por todos os tempos, desde quando a rivalidade entre os sexos surgiu e se mantém até os dias de hoje.

A rivalidade entre os sexos não partiu de um pressuposto de uma diferença biológica, mas para esclarecer, vamos entender melhor a biologia primeiro.

3. DESENVOLVIMENTO: BIOLOGIA

Para melhor entendimento, vamos dividir em categorias, sendo a primeira, os hormônios. Observe esta frase do artigo “A biologia das diferenças sexuais humanas” escrito por Daniel D. Federman, MD, da escola de medicina de Harvard em Boston, que você pode conferir através desse link “https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra052529”: “O fato de ambos os sexos produzirem os mesmos hormônios esteroides significa que as diferenças fisiológicas são necessariamente quantitativas. Em outras palavras, as diferenças nos esteroides sexuais entre homens e mulheres refletem duas decisões regulatórias: a quantidade de andrógeno produzida e a porcentagem dessa quantidade que é convertida em estrogênio. Se nos concentrarmos na testosterona e no estradiol, <sup>6,7</sup> os dois representantes mais potentes de suas classes e os principais hormônios sintetizados nas gônadas, duas diferenças marcantes se tornam evidentes. Os testículos produzem aproximadamente 7000 μg de testosterona por dia e convertem um quarto de 1% em estradiol. Em condições basais, os ovários produzem apenas 300 μg de testosterona por dia, mas convertem metade dessa quantidade em estradiol.”

Ou seja, tanto homens quanto mulheres tem os mesmos hormônios porém em quantidades diferentes, e se aprofundando mais no artigo, a mudança e o desequilíbrio hormonal são os responsáveis por doenças. O desequilíbrio dos hormônios não te torna mais homem nem mais mulher. Os hormônios em suas respectivas quantidades, agem de diferentes formas em corpos de sexos diferentes, mas todos os hormônios são equilibrados e necessários para a construção por exemplo do sistema reprodutor e também de sua manutenção e características fisiológicas. Por exemplo Existem receptores de estrogênio nos ossos, especificamente nos osteoblastos.<sup> 18 </sup> Em circunstâncias normais, a formação e a reabsorção óssea são acopladas e a densidade óssea é constante. Após a menopausa, no entanto, a formação óssea não acompanha a reabsorção óssea, e ocorre uma perda contínua e progressiva da densidade mineral óssea — particularmente rápida nos primeiros cinco anos após a menopausa. A osteoporose resultante, que aumenta o risco de fraturas de quadril e coluna, é uma consequência bem conhecida da menopausa.”

Genética: 





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