Não me recordo bem o ano, se era 2022 ou 2023, mas me lembro de uma palestra de um senhor alemão, casado com uma brasileira que atualmente moravam no Brasil. Ele era filho de um soldado alemão que participou da Segunda Guerra Mundial. Tive essa preciosa oportunidade, já que estudava no Senac.
Ele iniciou dizendo que o nazismo não aconteceu de repente, houve um processo muito conturbado para que ele viesse a nascer. Ele então disse: apesar do que possam pensar, meu pai não era nazista.
Na mesma hora repensei minhas conclusões. Só conseguia pensar no ditado alemão que dizia que se você está na mesa com um soldado nazista e não se levanta, automaticamente se torna nazista por ser conivente. Apesar disso, pensei com muita empatia sobre isso. Poderia ser um ótimo pai e marido, mas mesmo assim, não tenho como dizer que era um homem bom. Nesse momento pensei sobre as esposas dos soldados nazistas. Elas se tornavam automaticamente nazistas? O que se deve fazer com pessoas coniventes? O mesmo que se faz com nazistas?
É difícil, mas como ele disse, houve um processo para que o nazismo nascesse. Ele então nos entregou uma folha com um desenho de uma mulher e seus filhos, escrito pão em alemão. Ele nos ensinou sobre a fome.
Agora tenho que dizer que a análise que farei será puramente sociológica e filosófica e não expressará minha opinião, pois o intuito é refletir sobre ideias que temos consolidadas em nossas mentes.
O que a fome é capaz de fazer com uma nação? Qual o seu impacto social?
A fome e a desigualdade levam a morte em massa, a revolta e principalmente a tentativa de sobrevivência, e isso pode gerar um desentendimento entre o próprio povo. Acontece que nessas situações é necessário encontrar alguém para culpar. Isso mesmo, a culpa. Por que a culpa resolveria algo? Talvez porque se encontrar o culpado, automaticamente o problema se resolveria.
A população têm culpa? De que? Quem são os principais afetados? Mulheres e crianças são os mais afetados em guerras tanto religiosas, culturais ou territoriais. Isso acontece porque são vistas como presas, e podem e são utilizadas como objetos, seja para controle pois não são vistas com o direito de tomarem decisões, ou seja como objeto sexual. Isso é fato, por exemplo, quais foram as primeiras notícias da atual guerra de Israel contra Hamas? As primeiras notícias, foram de mulheres estupradas e esquartejadas por parte do Hamas. Outras coisas não foram repercutidas, como por exemplo, a informação verdadeira de que soldados israelenses teriam estuprado mulheres e levado suas roupas como troféus. Agora, para continuar pensando sobre o contexto social, vamos voltar um pouco no tempo.
A Grande fome na França, por exemplo, tem provas arqueológicas de que houve canibalismo entre a população. Por isso, o surgimento de histórias como
João e Maria. Pessoas eram abandonadas para morrerem, ou eram canibalizadas. E os pais contavam histórias a noite toda para os filhos dormirem e esquecerem da fome.
Canibalismo:
Obviamente não é normal canibalismo, porém em situações extremas, ele ocorre. Este é o ponto, situações extremas. A Alemanha estava em uma situação extrema. O que acontece é que nessas situações, qualquer esforço para tirar as pessoas dessa situação, mesmo que por parte de
pessoas misóginas, mesmo assim, a manipulação acontece, até porque estas pessoas estão vulneráveis e sujeitas a morte certa. O problema agora é outro. Como e por que surgem grupos extremistas, misóginos e segregacionistas? A explicação mais simples seria poder, mas vamos pensar melhor.
Já escutou a frase: O sonho do oprimido é se tornar o opressor? Essa frase é do
Paulo Freire, e está inserida no contexto de que a educação é libertadora. Sabe onde eu quero chegar? Quero dizer, que o ódio, mágoa e vingança, movem pessoas, e as mobilizam. Isso não quer dizer que apenas emoções intensas estão em jogo, há muita estratégia e interesses, muitas vezes pessoais, por trás, mas esses sentimentos que fazem pessoas se sentirem pertencidas de um determinado grupo. São esses sentimentos que manipulam as massas.
Se você discorda, ou tem algo a acrescentar, fique a vontade e comente.
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